22 de junho de 2026 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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O 46º Congresso da SOCESP teve conferencistas internacionais, lideranças acadêmicas, participações e simpósio conjunto com o American College of Cardiology e a revista Circulation.

A 46ª edição do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) foi realizada nos dias 4, 5 e 6 de junho, no Transamérica Expo Center, com a participação de conferencistas dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Suíça e Itália, de lideranças acadêmicas da Cardiologia e profissionais de oito áreas, como educação física, enfermagem, farmacologia, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço social e um grupo de estudos em cuidados paliativos. O evento teve os seguintes destaques: 

Pesquisa SOCESP revelou que 18% dos homens usam ou já usaram cigarro eletrônico: O trabalho mostrou que o uso de cigarros eletrônicos já está presente de forma relevante, principalmente entre os mais jovens. Entre os homens entrevistados, 12% afirmaram usar cigarros eletrônicos regularmente e6%, eventualmente. Entre as mulheres, 9% relataram uso regular e 5%, uso ocasional. 

Temperaturas mais baixas podem aumentar em até 30% as mortes por doenças cardiovasculares: A chegada do inverno acende um alerta importante para a saúde do coração. Evidências científicas recentes mostram que períodos de frio estão associados ao aumento de infartos, acidentes vasculares cerebrais(AVC) e descompensações da insuficiência cardíaca, um fenômeno observado em diversos países, inclusive no Brasil. Temperaturas abaixo de 14°C podem estar associadas a um aumento de até 30% nas mortes por doenças cardiovasculares. O Congresso da SOCESP trouxe uma abordagem inovadora ao integrar esse tema e também o das mudanças climáticas e seus impactos na saúde do coração dentro da Arena ESG.

Pesquisa inédita revelou baixa percepção sobre fatores de risco cardiovascular e acendeu alerta: A população ainda tem baixa percepção sobre os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, que seguem como a principal causa de morte no país. As conclusões foram apresentadas e debatidas pela primeira vez. De acordo com o levantamento, entre os homens, apenas 32% mencionaram espontaneamente a alimentação inadequada como fator de risco. O sedentarismo foi citado por 26%, seguido por estresse (23%) e tabagismo e consumo de álcool (19%). Entre as mulheres, o estresse emocional lidera as respostas, com 35%, seguido por alimentação inadequada (28%),sedentarismo (20%) e fatores genéticos e histórico familiar (17%). 

Pesquisa inédita constatou alta taxa de sedentarismo e reforçou importância da atividade física na prevenção das doenças cardiovasculares: Pesquisa também da SOCESP constatou um cenário preocupante sobre a adesão da população à prática de atividade física, um dos principais fatores de prevenção e controle das doenças cardiovasculares. O levantamento mostrou que homens e mulheres ainda se exercitam menos do que o recomendado, com maior predominância de sedentarismo entre as mulheres. De acordo com o estudo, 34% dos homens afirmam nunca praticar atividade física, enquanto 24% dizem praticar raramente, 22% às vezes e apenas 20%frequentemente. Entre as mulheres, os índices são ainda mais alarmantes: 41%nunca praticam atividade física, 27% raramente, 18% às vezes e somente 20%frequentemente. 

Desconhecimento dos fatores de risco cardiovascular acendeu alerta e reforçou papel da comunicação médico-paciente: Uma pesquisa da SOCESP mostrou um cenário preocupante: uma parcela expressiva da população brasileira ainda desconhece os fatores clássicos de risco cardiovascular. Segundo levantamento, quase um quarto dos entrevistados (23,2%) não reconhece a má alimentação como fator de risco para doenças cardiovasculares. A desinformação se amplia quando o assunto é obesidade (30,1%), hipertensão arterial (31,3%) e sedentarismo (33,5%). O desconhecimento avança ainda mais em relação a outros fatores consolidados pela ciência: 33,7% não associam colesterol elevado arisco cardíaco, 34,6% não reconhecem os impactos do tabagismo e quase metade dos entrevistados (47,7%) acredita que o diabetes não compromete o coração. O dado mais alarmante foi que 57,9% não consideram os distúrbios do sono prejudiciais à saúde cardiovascular. 

Avanços na cardiologia destacaram personalização do tratamento, menos invasividade e novos olhares para pacientes frágeis: Três estudos recentes nacionais ajudaram a redesenhar a prática da cardiologia ao apontar caminhos mais personalizados, menos invasivos e mais adequados a perfis específicos de pacientes. Os achados dos estudos NEOMINDSET (pesquisadores brasileiros analisaram mais de 3.400 pacientes para entender se seria seguro simplificar o tratamento após um infarto), SURVIV (investigou uma questão cada vez mais frequente na prática clínica: o que fazer quando uma válvula cardíaca  previamente implantada deixa de funcionar) e FRAGILE (lançou luz sobre um grupo historicamente pouco representado em pesquisas: os idosos frágeis submetidos à cirurgia cardíaca) estiveram entre os destaques do evento. 

Estudos destacaram avanços na prevenção cardiovascular e desafios no controle de doenças no Brasil: O estudo brasileiro EPICO chamou a atenção para um problema persistente: as mortes por doenças do coração não vêm diminuindo no estado de São Paulo na última década. A análise de milhares de pacientes atendidos na atenção básica revelou falhas importantes no controle dos principais fatores de risco. Na outra ponta, o estudo VESALIUS-CV indicou para uma mudança de paradigma no tratamento do colesterol. Pela primeira vez, um grande ensaio clínico demonstrou que reduzir de forma mais intensa o LDL, o chamado “colesterol ruim”, pode prevenir infartos e AVCs mesmo em pessoas que ainda não tiveram esses eventos. 

Inflamação na gengiva pode aumentar em até 30% o risco de doenças cardiovasculares: Estudos epidemiológicos, publicados na Revista da SOCESP, indicaram que pessoas com inflamação crônica da gengiva, doença periodontal, apresentam um risco entre 20% e 30% maior de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação com indivíduos com gengivas saudáveis. O dado, cada vez mais consistente na literatura científica, reforçou um alerta importante para a saúde pública: a prevenção das doenças do coração também pode começar pela saúde bucal.  

Nova combinação terapêutica abre caminho para melhor controle da insuficiência cardíaca na doença de Chagas: Um dos temas que ganhou protagonismo nas discussões científicas do 46º Congresso foi o avanço no tratamento da cardiomiopatia associada à Doença de Chagas, impulsionado pelos resultados do estudo PARACHUTE-HF.  O ensaio clínico representa um marco ao se posicionar como o primeiro estudo randomizado de grande porte a avaliar, deforma dedicada, estratégias farmacológicas contemporâneas para insuficiência cardíaca nessa população, historicamente sub-representada nos grandes trials de IC, e que é coordenado pelo cardiologista brasileiro Renato Lopes. A doença de Chagas ainda é um importante problema de saúde pública no Brasil, com estimativas de 1 a 2 milhões de pessoas infectadas. Em muitos casos, a evolução leva a complicações cardíacas graves, como insuficiência cardíaca, arritmias e risco de morte súbita. 

Cardiologistas discutiram convergência das diretrizes do colesterol e mudanças na prevenção cardiovascular: No Brasil, cerca de 40% dos adultos apresentam níveis elevados de colesterol total ou frações alteradas, como LDL alto e HDL baixo, segundo inúmeros estudos epidemiológicos. A prevalência é maior entre mulheres, embora também seja significativa nos homens, aumenta após os 45 anos e está associada a fatores como baixa escolaridade e excesso de peso. Diante desse cenário, especialistas alertaram que o controle do colesterol permanece como um dos principais desafios da saúde pública e da prevenção das doenças cardiovasculares. As mudanças recentes nas diretrizes internacionais para o manejo do colesterol sinalizam um momento de convergência global entre recomendações dos Estados Unidos, Europa e Brasil.

Roxana Mehran destacou a medicina personalizada no pós-infarto e alertou para sub diagnóstico cardiovascular em mulheres: A presidente do American College of Cardiology (ACC), Roxana Mehran, esteve no Brasil para participar do 46º Congresso da SOCESP, em São Paulo. Considerada uma das principais referências mundiais em cardiologia intervencionista e pesquisa cardiovascular, a especialista foi conferencista da abertura do evento pelo segundo ano consecutivo. “As mulheres continuam sub-representadas em ensaios clínicos, o que limita a robustez das evidências que orientam o cuidado”, observou. Segundo ela, é fundamental que a medicina cardiovascular deixe detratar as diferenças sexuais como um tema de nicho e incorpore definitivamente esse conhecimento à prática clínica cotidiana.

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