18 de abril de 2024 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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A tecnologia ainda aguardana sala de espera do médico

 Pesquisa da SOCESP –Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo aponta que 81% dosprofissionais de saúde não possuem nenhum treinamento ou curso relacionado aodesenvolvimento da inovação digital em suas áreas.

 * Ieda Jatene e GuilhermeRabello 

Telemedicina, sistemas de registroseletrônicos, holter, MAPA, telecardio e assim por diante. A tecnologiaaplicável à medicina, sobretudo aquela disponível para o dia a dia da práticaclínica e cirúrgica e que garante desde diagnósticos mais precisos até aotimização do tempo do profissional, ainda aguarda na sala de espera. Aconclusão é de uma pesquisa realizada com participantes da última edição daArena de Inovação e Tecnologia, que integrou o 43º Congresso da SOCESP –Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, em junho de 2023. Entre osresultados, 81% não fizeram nenhum treinamento ou curso sobre tecnologia emsaúde e 75,9% não pertencem a nenhuma organização ou grupo relacionado àtecnologia e inovação.  

 Já a telemedicina não é empregada por mais de ¼dos consultados (26,9%) e 33,3% utilizam o recurso raramente (uma vez por mêsou menos). Outro achado preocupante: quando o assunto é conhecimentos deprontuários eletrônicos, os que se autointitulam iniciantes ou intermediários somamquase 60%. 

Dispositivos tecnológicos desenvolvidos parafacilitar ou aprimorar os atendimentos não integram a rotina da maioria. Tele-eletrocardiograma,monitores digitais de bioparâmetros, polissonografia e até smartphones etelefones voltados aos atendimentos são ferramentas para apenas 1,3% dosentrevistados. Próteses impressas em 3D têm a adesão de 2,6% e só 6,4% usam osensor de glicose. Entre os que foram inqueridos, ninguém havia empregadocirurgia robótica. 

O questionário também avaliou a familiarizaçãodos profissionais com as tecnologias emergentes, como inteligência artificial(IA) em diagnóstico e tratamento; blockchain na gestão de dados de saúde;realidade virtual (RV) para reabilitação e terapia do paciente e monitoramentoremoto por meio de dispositivos de internet das coisas. E 65% admitiram não tercontato com nenhum desses sistemas.

Para 77,2%, a justificativa para esta falta deintimidade com as novas tecnologias é a ausência de treinamento e recursos e 44,3%responsabilizaram a restrição de custos e o orçamento. Já 30,4% apontaram aresistência dos colegas ou da gerência dos locais de trabalho e 22,8% atribuíramao receio com a manutenção da privacidade dos dados.

Mas há luz no fim do túnel: apesar de, porenquanto, não serem recursos presentes na rotina clínica e cirúrgica, cerca de85% afirmaram que gostariam de ter mais informações sobre a incorporação dasnovas tecnologias na saúde.


Perfil dos entrevistados

38% dos respondentes tinham entre 25 e 34 anos;26,6% entre 35 e 44 anos; 13,9% de 45 a 54 anos e outros 13,9 de 55 a 64 anos.Os especialistas formaram a maioria com 45,6% do total; 16,5% eram estudantesde pós-graduação ou residência; 13,9% eram mestres e 8,9% universitários. Osconsultados atuam em medicina, enfermagem, nutrição, educação física,fisioterapia, tecnologia e consultoria médica.

O Congresso da SOCESP de 2023 contou com 760conferencistas dos Estados Unidos, Canadá, Itália, além de liderançasacadêmicas da Cardiologia e profissionais de educação física, enfermagem,farmacologia, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço sociale um grupo de estudos em cuidados paliativos em mais de 800 palestras edebates. Foram 7.684 pessoas vindas de todos os estados brasileiros, sendo6.327 médicos, residentes e acadêmicos de medicina, 1.083 de áreasinterdisciplinares da saúde e 74 de outros segmentos.


Medicina de hoje

A Arena de Inovação e Tecnologia da SOCESP contribuiupara ampliar conhecimento científico ao abordar temas de fundamentalimportância para o avanço da medicina. Presente no Congresso da SOCESP há duasedições, trata-se de um evento dentro do evento, com grade de programaçãoprópria e específica, com conteúdo sobre novas tecnologias aplicáveis àcardiologia em particular e à medicina em geral. ChatGPT, IA e seu impacto nacardiologia; tele monitoramento assistido; impressão 3D do coração e oecossistema das HealthTechs foram algumas das oficinas da última edição.

As aulas da arena são verdadeiros catalisadorese proporcionam um ambiente inspirador para aprendizado, networking e divulgaçãodo conhecimento. E isso vai de encontro à expectativa de 85% dos entrevistados,que gostariam de ter acesso a informações sobre este universo. Para este grupo,o convite da SOCESP é oportuno:  o timetécnico e científico da Arena de Inovação e Tecnologia já está desenvolvendo aversão 2024 do encontro. Porque o futuro já chegou e tecnologia não é ficçãocientífica: é instrumento de trabalho do médico do século 21.

  

*Ieda Jatene épresidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo – SOCESP (gestão2022/2023) e Guilherme Rabello é head de inovação do Instituto do Coração(InCor) e coordenador da Arena de Inovação do Congresso da SOCESP. 

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