06 de julho de 2022 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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COMBATE AO TABAGISMO E A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

Atualmente o tabagismo é amplamentereconhecido como doença epidêmica, por atingir grandes contingentespopulacionais. Percebeu-se que essa epidemia está relacionada há padrões noconsumo do tabaco que estão vinculados às crenças, mitos e às representaçõesreligiosas e existenciais das sociedades, além de mudanças sociais e culturais1.

Afirma-se que uma em cada duas pessoas fumantespoderá ir a óbito por alguma doença relacionada com o cigarro, considerando,ainda, que a expectativa de vida dos usuários que cessam o tabagismo pode serreduzida em até 10 anos comparada a dos não fumantes2.

No Brasil, estima-se que 4 a 17% das mulheres e 10 a 24 % doshomens fumam, gerandoprejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 17,5 bilhõescom custos indiretos ligados à perda de produtividade do mundo do trabalho,causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura3.

A prevalência por faixa etária é de 7,4%entre jovens com menos de 25 anos e 7,7% entre idosos com mais de 654.

A doença pulmonar obstrutiva crônica(DPOC) é a enfermidade relacionada ao tabagismo que mais gerou gastos aosistema público e privado de saúde em 2015, com R$ 16 bilhões, e as doençascardíacas vêm em segundo lugar, com custo de R$ 10,3 bilhões3.

O tabagismo associadoaos fatores de risco pode desencadear oaparecimento de Doença Crônica não Transmissível (DCNT), dentre elas as doenças cardiovasculares (DCVs), comagravamento de condições para hipertensão e diabetes2.

Mesmo que ofumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tais como câncer,enfisema pulmonar ou cardiopatia, a qualidade de vida melhora muito ao parar defumar⁵:

            Após 12 a 24 horas, ospulmões funcionam melhor.

            Após 3 semanas, a respiraçãose torna mais fácil e a circulação melhora.

            Após 1 ano, o risco de mortepor infarto do miocárdio é reduzido à metade.

            Após 10 anos, o risco desofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.

Quando o indivíduo tentacessar essa dependência química, se defronta com grandes desconfortos físicos epsicológicos que podem causar angústia e sofrimento6.

Segundo o Programa Nacionalde Controle do Tabagismo⁵, nesse cenário o uso de medicamentos tem um papel bemdefinido no processo de cessação do tabagismo, que é o de minimizar os sintomasda síndrome de abstinência à nicotina, facilitando a abordagem ao tabagista, portanto,o tratamento dever associado a atuação em equipe multiprofissional.

Nessaconjuntura, o Assistente Social enquanto profissional que compõe a equipemultiprofissional busca compreender os aspectos socioeconômicos e culturais quepossam interferir no processo saúde-doença, destacando a participação dosusuários no conhecimento crítico da sua realidade a fim de potencializar juntoaos sujeitos a construção de estratégias coletivas de enfrentamento darealidade.

O paciente, mesmo medicado, pode ter dificuldade noprocesso de cessação do tabagismo, pois diversos fatores podem prejudicar a evolução do processo de tratamento, como oscomportamentais e psicossociais.

Assim, a assistência multidisciplinarfaz-se estritamente necessária, haja vista que o processo de saúde-doença émultideterminado, exige o desenvolvimento de atividades socioeducativas e deforma integral como estratégia para auxiliar no abandono do tabagismo, enfatizadona melhoria de qualidade de vida do sujeito, visando o acesso adequado aotratamento e a efetivação do direito de que todo cidadão tem de receber atençãoe cuidados que garantam o atendimento global às suas necessidades7.

Vale ressaltar que para melhor adesão àcessação do tabagismo, é necessário estabelecer uma relação de confiança eparceria com os profissionais da saúde, visando potencializar paciente efamiliares para combater os dificultadores do tratamento8.

Infere-se que o tabagismo se expandiudevido a indústria capitalista, porém, nota-se que a força de trabalho da populaçãoé drasticamente afetada em função dos efeitos nocivos do tabaco, o quecorrobora para o desenvolvimento de políticas públicas para o enfrentamento dotabagismo.

 

Referências

 

1. ECHER, I. C. et al. Prevalência dotabagismo em funcionários de um hospital universitário. RevistaLatino-Americana de Enfermagem, 2011.

2. MACHADO, A. R; ARAÚJO, A. J. Qualé o custo do tabagismo ativo? In: ARAÚJO, Alberto José de. Manual de condutas epráticas em tabagismo. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. SãoPaulo: AC Farmacêutica, 2012.

3. PINTO, M et al. Carga de doençaatribuível ao uso do tabaco no Brasil e potencial impacto do aumento de preçospor meio de impostos. Documento técnico IECS N° 21. Instituto de EfectividadClínica y Sanitaria, Buenos Aires, Argentina. Maio de 2017. Disponível em: www.iecs.org.ar/tabaco

4. Departamento de Vigilância de Doençase Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde, Secretaria de Vigilância emSaúde, Ministério da Saúde. Vigitel Brasil, 2015. Vigilância de Fatores deRisco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico: estimativassobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteçãopara doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no DistritoFederal em 2015. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.

5.BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer, Coordenação dePrevenção e Vigilância. Consenso sobre Abordagem e Tratamento do Fumante, Riode Janeiro, 2001.

6.SENAC. Fundamentos da Saúde.3ª ed, Vol 4.São Paulo: Senac; 2010.

7.GIOIA-MARTINS, D., ROCHA JÚNIOR, A. Psicologia da saúde e o novo paradigma:Novo paradigma? Psicologia: Teoria e Prática,3(1), 35-42, 2001.

8.SAWAIA, B. O ofício da psicologia social à luz da ideia reguladora de sujeito:da eficácia da ação à estética da existência. In ZANELLA, AV., et al., org.Psicologia e práticas sociais. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de PesquisasSociais, 2008. p. 67-79. 

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