26 de fevereiro de 2024 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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DIA MUNDIAL DA SAÚDE BUCAL

5 mitos que podem prejudicar a saúde bucal de pacientes com doenças cardíacas

A saúde bucal de pessoas que apresentam alguma doença cardíaca precisa sempre de uma atenção especial, pois há diversos microorganismos na boca que se não estiverem em sintonia com o organismo, podem causar alterações cardiovasculares importantes, como por exemplo, a endocardite infecciosa. 

É muito comum encontrar pessoas com doenças cardíacas que evitam as visitas rotineiras ao consultório odontológico por acharem que usam determinado medicamento que impeça tratamentos dentários ou terem maiores riscos de desenvolverem complicações sistêmicas. Mas é justamente ao contrário. 

As visitas odontológicas devem ser realizadas de acordo com a orientação do dentista a fim de prevenir qualquer foco infeccioso. Além do mais, atualmente há protocolos bem instituídos e dentistas capacitados para realizarem procedimentos invasivos com segurança. Por isso, trouxemos 5 mitos que podem prejudicar a saúde bucal de paciente com doenças cardíacas para desmistificar este tema. 

1- Quem tem doença do coração não pode ser submetido a anestesia odontológica 

A anestesia odontológica é extremamente importante para controle da dor e sangramento e deve ser realizada em procedimentos odontológicos mais invasivos. Existem no mercado diferentes anestésicos odontológicos que podem ser utilizados no paciente cardiopata e por este motivo é extremamente importante que você avise o seu dentista sobre os seus problemas de saúde para que ele tome as medidas necessárias para te atender com toda segurança. 

2- Para fazer extração de dente, precisa suspender o medicamento que “afina” o sangue

Não. Asmedicações anticoagulantes e antiagregantes, ou seja, aquelas que “afinam” osangue não devem ser suspensas para cirurgias bucais como extrações dentáriasque são consideradas procedimentos de baixo risco de sangramento. Essasmedicações são extremamente importantes para os pacientes cardiopatas e a suasuspensão pode predispor a maior probabilidade de eventos cardíacos de granderepercussão clínica, como acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio.O dentista irá individualizar o seu planejamento odontológico em parceria com omédico cardiologista para a melhor abordagem e segurança no tratamento. Nãoesqueça de informar o seu dentista sobre todos os seus problemas de saúde e asmedicações que faz uso contínuo.

3- Não devo escovar os dentes se a gengiva estiver sangrando 

O sangramento gengival é sinal de inflamação e acontece devido a presença de resíduos alimentares e biofilme entre os dentes, também conhecido como placa bacteriana. Para a diminuição da inflamação e consequentemente do sangramento é necessário, portanto, escovar os dentes e usar fio dental para a remoção desses agentes inflamatórios, lembrando que a escova deve ser de cerdas macias para não haver o risco de traumatizar a gengiva. Enfim, se a gengiva estiver sangrando a higiene oral deve ser intensificada pois é justamente a falta de escovação que faz a gengiva sangrar.  

4- Não faço procedimento odontológico por risco de endocardite infecciosa 

O risco de endocardite infecciosa se dá através da bacteremia transitória que acontece durante o procedimento odontológico ou até mesmo durante a escovação dentária. Portanto, a boca deve ser sempre o foco de atenção para que não haja sítios de infecção como cárie ou doença periodontal. No entanto, caso seja necessário algum procedimento invasivo, a Associação Americana de Cardiologia, American Heart Association, padronizou o uso de profilaxia antibiótica 1 hora antes do procedimento que envolva sangue, para determinadas doenças do coração, como as cardiopatias congênitas e valvopatias, por exemplo, minimizando assim o risco de endocardite. Por isso mais uma vez, é importante conversar com o seu cirurgião dentista sobre sua cardiopatia e suas medicações, para que haja uma prescrição correta e segura do antibiótico.

5- Não preciso tirar as próteses dentárias para dormir 

As próteses dentárias removíveis em contato constante com a mucosa oral podem causar, a longo prazo, focos infecciosos por microorganismos oportunistas como a candidíase que é causada por fungo, por exemplo. Portanto, a remoção das próteses para dormir tem o principal objetivo de evitar o aparecimento dessas lesões. 

Além disso, o uso de diversos medicamentos anti-hipertensivos e diuréticos, por exemplo, podem causar a diminuição do fluxo salivar, conhecida como hipossalivação. Com a ausência da saliva, a prótese em contato com a mucosa ressecada, pode causar lesões traumáticas e dor. 


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