19 de maio de 2024 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Por mais mulheres na cardiologia

Por mais mulheres na cardiologia

Para viver em uma sociedade com diversidade, equidade e inclusão é fundamental quebrarmos alguns parâmetros estabelecidos.

* Auristela Isabel de Oliveira Ramos e Maria Teresa Nogueira Bombig


A última edição da Demografia Médica no Brasil (DMB), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB) e com a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), projetou que, este ano, 50,2% dos médicos brasileiros serão mulheres. Mas no ranking das áreas mais requeridas, a cardiologia não é tão contemplada pelas médicas. 

Uma das possíveis razões pode ser a falta de equivalência profissional: levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia revela que homens são maioria entre cardiologistas, com maior carga de trabalho e renda superior em relação às mulheres em similar situação. E o fenômeno é mundial: segundo o American College of Cardiology (ACC), em 2017, as mulheres eram 42% das residentes e somente 23% haviam escolhido a cardiologia naquele país. Além disso, pesquisas posteriores denotavam uma percepção negativa das mulheres sobre a residência em cardiologia, o que levava muitas a desistirem. 

Maior possibilidade de assédio moral e sexual, menos oportunidades de plano de carreira, preconceito de gênero e dificuldade para ocupar cargos de liderança são hipóteses para o desinteresse. Da mesma forma, ambiente laboral estressante e carga horária noturna entram no hall de justificativas para que as mulheres prefiram outras especialidades.

Estímulo para adesão feminina

Várias sociedades de cardiologia como a European Society of Cardiology mantêm uma política de inclusão intencional, com meta de ocupação de 40% dos cargos diretivos por mulheres. Apesar de haver muito ainda a ser feito as entidades médicas estão se conscientizando das vantagens da formação de times diversificados para promover inovação e melhora das respostas. Movimentos pela equiparação de cargos e salários são organizados para tornar a cardiologia atrativa às mulheres. O que se faz mais que necessário:  análises internacionais mostram que a assimetria salarial das cardiologistas começa cedo e equivale a uma diferença de rendimentos durante a vida de aproximadamente US$ 2 milhões em comparação com seus pares do sexo masculino.

A baixa representatividade feminina também é sentida nas pesquisas cardiovasculares, com homens gerenciando a grande maioria dos projetos científicos. A sub-representação inclui a autoria dos trabalhos, responsabilidade em reuniões, palestras sobre os temas de estudo, investigação e ensaios clínicos randomizados. E, geralmente, as cientistas recebem menos aporte financeiro e são mais cobradas por resultados.

Dia Internacional da Mulher

Em tese, em 2024 não deveria mais ser imperativo relembrar as disparidades econômicas, políticas e sociais que deram origem ao Dia Internacional da Mulher, em 1975. Mas o fato é que este dia ainda existe para dar voz às mulheres em todas as áreas, reafirmando os direitos femininos e lembrando às futuras gerações que um caminho foi trilhado para que a justiça entre gêneros seja efetiva.

Um bom exemplo brasileiro em prol da igualdade vem da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Pela primeira vez em sua história, a entidade teve uma presidente, Ieda Jatene (2022-2023), sendo substituída por outra, Maria Cristina Izar (2024-2025). A atual gestora é a terceira presidente da entidade, fundada em 1976.  A SOCESP é uma associação multidisciplinar e tem 249 associadas nas áreas de Educação Física, Enfermagem, Farmacologia, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Serviço Social, além de 255 acadêmicas e 126 residentes mulheres de outras áreas da saúde. A Sociedade ainda possui um grupo há quatro anos, o SOCESP Mulher, que propõe ações para valorização da mulher cardiologista e profissional de saúde. 

Temos que seguir investindo esforços pela equidade em nossa área, contando justamente com o olhar feminino para que a cardiologia e a cirurgia cardiovascular sejam cada vez mais caracterizadas pela pluralidade e por profissionais competentes.


* Auristela Isabel de Oliveira Ramos é especialista em cardiologia e valvopatias e coordenadora do SOCESP Mulher

Maria Teresa Nogueira Bombig é especialista em cardiologia e coordenadora do SOCESP Mulher

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