29 de setembro de 2020 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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PERGUNTAS E RESPOSTAS: SAÚDE CARDIOVASCULAR E ODONTOLOGIA!

Por que o planejamento é importante (anestesia e remédios)? Em relação aos remédios o que deve ser observado e quais classes de medicamentos precisam de atenção e por quê?

D.O.: O planejamento é de suma importância para que possa oferecer um tratamento odontológico com maior efetividade e segurança. Devemos buscar maiores informações sobre medicações comumente utilizadas por estes pacientes já que algumas destas drogas podem sofrer interações com soluções anestésicas odontológicas, além de provocar algumas alterações em boca como: hipossalivação, xerostomia e hiperplasia gengival e reações liquenóides.

Beta-bloqueadores não seletivos – propranolol e atenolol, utilizados em pacientes cardiopatas, para o controle da HAS, podem ocasionar uma possível bradicardia, quando empregadas soluções com vasocontritores como a epinefrina, de forma inadequada, por exemplo. 

Também deve-se evitar o uso de norepinefrina e levonordefrina como vasoconstritores em anestésicos locais para pacientes cardiopatas, pois causam estimulação do receptor α, o que pode elevar a pressão arterial sistólica e diastólica.

Por outro lado, cada vez mais, tem-se evidenciado os benefícios quanto da indicação de vasoconstritores, como a epinefrina e/ou felipressina em pacientes cardiopatas, desde que, preceitos básicos da anestesiologia sejam seguidos. 


Quais os riscos que o paciente corre, caso não seja feito o planejamento antes do tratamento dentário (infarto, AVC, outros)?

D.O.: O planejamento odontológico feito de forma rudimentar e errônea pode possibilitar maiores chances de adventos emergenciais e urgênciais, sejam do ponto de vista, cardiovasculares e/ou odontológicos, como: IAM, Angina, AVC, Hemorragias, Sincope, Lipotimia...

Obrigatoriamente, o cirurgião-dentista, precisa estar habilitado e capacitado para o atendimento odontológico aos pacientes cardiopatas, bem como saber lhe dar com situações inesperadas como as emergências cardiovasculares. A melhor maneira de evitar uma complicação é prevenir para que ela não aconteça. 


Crianças e adolescentes com DCVs ou fatores de risco importantes também devem ter a preocupação de seus pais sobre o assunto?

D.O.: No grupo de pacientes pediátricos, as cardiopatias congênitas representam uma importante fração das crianças acometidas, sendo primordial o seu conhecimento pelo cirurgião dentista, com o objetivo de realizar um plano de tratamento odontológico adequado, de acordo com a necessidade ou não de profilaxia antibiótica prévia ao atendimento odontológico. 

Diversos protocolos antimicrobianos têm sido descritos, sendo extrema importância salientar que o julgamento clínico é imperativo sobre qualquer protocolo estabelecido, devendo ser adaptado às necessidades individuais de cada paciente.

Estes pacientes requerem consideração especial com relação à necessidade e momento oportuno de abordagem, o que nem sempre é diretamente proporcional, escolha do tratamento odontológico apropriado e cuidados odontológicos prévios.


FREDERICO BUHATEM MEDEIROS

DIRETOR CIENTÍFICO DO DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA DA SOCESP


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