23 de abril de 2021 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMPARTILHE:                          COMPARTILHE:

NUTRIÇÃO NO PACIENTE HOSPITALIZADO POR COVID-19

NUTRIÇÃO NO PACIENTE HOSPITALIZADO POR COVID-19

Ainda não existe tratamento nutricional específico para pacientes acometidos pela COVID-19. As condutas nutricionais visam aliviar os sintomas gerados pela febre (anorexia e desidratação) e pelos problemas respiratórios (fadiga e dispneia), garantindo a hidratação e alimentação adequadas. A anorexia gera ingestão inadequada de alimentos e aumento da desidratação, não sensível, causada pela febre, o que pode levar à hipotensão, por isso a hidratação é fundamental para esses pacientes. Para manter a hidratação adequada, recomenda-se ingestão de 30 a 40 ml de líquidos por quilo de peso, optando-se por água, que pode ser aromatizada para facilitar aceitação, ou através da oferta de sucos naturais (da fruta ou polpa) e água de coco. O consumo de chás também pode ser adotado como estratégia para hidratação, lembrando que não há evidências científicas de que alguma erva / planta ajude a combater o coronavírus, embora algumas infusões possam auxiliar no alívio dos sintomas. No caso de odinofagia, desconforto respiratório leve ou náuseas recomendase adequação da consistência para facilitar a deglutição. A oferta de alimentos abrandados por cocção, mais macios e úmidos, como sopas ou purês, facilita a alimentação na presença de tais sintomas.

Alguns nutrientes como vitamina A, vitamina C, vitamina E, vitamina D, selênio e zinco, contribuem para o funcionamento adequado do sistema imunológico, mas ainda não há evidências científicas de que a suplementação dos mesmos esteja associada a um menor risco de infecção, nem ao tratamento da COVID-19, embora alguns estudos de revisão sugiram a utilização de tais nutrientes. A recomendação é o consumo de uma alimentação balanceada e colorida, rica em frutas, verduras, legumes, além de fontes proteicas (carnes, ovos, leguminosas) e oleaginosas (castanhas e nozes), a fim de conseguir tais nutrientes. Nos casos mais graves, que cursam com insuficiência respiratória e necessidade de intubação oreotraqueal, o suporte nutricional deve ser instituído, priorizando a nutrição enteral. Uma avaliação precoce do risco nutricional do paciente, deve ser levada em consideração para o delineamento das estratégias nutricionais e o suporte nutricional enteral deve ser introduzido em até 48 h da admissão na UTI, quando possível, monitorando-se principalmente, a oferta de energia, proteínas e manutenção do balanço hídrico. Em relação a oferta calórica, recomenda-se de 25 a 30 kcal / kg / dia. A oferta proteica adequada fica na faixa de 1,2 a 2,0 g de proteína por kg / dia. Pacientes graves apresentam atrofia muscular devido ao aumento do catabolismo protéico, o que afeta a sobrevida e o prognóstico, podendo dificultar o desmame da ventilação mecânica. Em casos mais graves, em que o paciente deve ser pronado, pode haver dificuldade com alimentação enteral, devido a vômitos ou aumento de resíduo gástrico, por isso é importante que a instituição adote protocolos adequados que minimizem os riscos ao paciente e possam otimizar a terapia nutricional enteral. No momento em que se esgotam os recursos terapêuticos para o controle da doença e lesões orgânicas, nestes pacientes hospitalizados, cabe a equipe multiprofissional reunir esforços para prestar cuidados mais eficientes e humanizados, não dirigidos à cura, mas pensando em aliviar os sintomas que causam desconforto e sofrimento (cuidados paliativos), estendendo essa intervenção às famílias dos pacientes, e neste momento, o uso da terapia nutricional deve ser reavaliado. Se a nutrição, embora necessidade básica e parte do tratamento, passa a ser um procedimento invasivo e doloroso, ocasionando desconforto ao paciente, gerando mais danos do que benefícios.... neste momento, nutrir deixa de ser imprescindível.

Nutricionista Luciene de Oliveira

Nutricionista Regina Helena Marques Pereira

REFERÊNCIAS


BUSCA EM NOTÍCIAS




Siga-nos