22 de julho de 2026 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMPARTILHE:                          COMPARTILHE:

É possível morrer de amor?

A ciência por trás da Síndrome do “Coração Partido”


*Ieda Jatene e Salete Nacif 


A ideia de que alguém pode “morrer de amor” está profundamente enraizada na cultura popular, na literatura e até no senso comum. Mas, do ponto de vista médico, essa expressão precisa ser compreendida com cautela. Existe, sim, uma condição cardíaca real associada a eventos emocionais intensos, porém, ela vai muito além de uma simples metáfora romântica.

Conhecida cientificamente como Síndrome de Takotsubo, ou cardiomiopatia induzida por estresse, essa condição ganhou o apelido de “síndrome do coração partido” justamente por frequentemente surgir após situações de forte impacto emocional, como a perda de um ente querido, separações ou choques inesperados. No entanto, reduzir o problema apenas ao “amor” é uma simplificação que não reflete a complexidade do quadro clínico.

A Síndrome de Takotsubo envolve uma disfunção temporária do músculo cardíaco, geralmente provocada por uma descarga intensa de hormônios do estresse, como a adrenalina. Essa resposta exagerada do organismo pode levar a sintomas muito semelhantes aos de um infarto, como dor no peito, falta de ar e alterações no eletrocardiograma. Em muitos casos, o diagnóstico é um dos grandes desafios para os médicos.

Importante destacar que os gatilhos da síndrome não são exclusivamente emocionais. Situações físicas intensas, como cirurgias, infecções graves, crises neurológicas ou dor aguda, também podem desencadear o quadro. Ou seja, não se trata apenas de “amor” ou de sofrimento afetivo, mas de uma resposta complexa do organismo a diferentes tipos de estresse.

Embora, na maioria dos casos, a recuperação seja completa em algumas semanas, a Síndrome de Takotsubo não é inofensiva. Pode, sim, levar a complicações graves, como insuficiência cardíaca, arritmias e, em situações mais raras, até risco de morte. Por isso, requer acompanhamento médico adequado, diagnóstico preciso e monitoramento cuidadoso.

Outro ponto relevante é o perfil dos pacientes. A síndrome é mais comum em mulheres, especialmente após a menopausa, embora também possa afetar homens e, nesses casos, os quadros tendem a ser mais graves. Esse dado reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a doença e individualizar o cuidado.

Diante desse cenário, a resposta à pergunta inicial é: não, não se “morre de amor” no sentido literal e romântico da expressão. Mas eventos emocionais intensos, assim como fatores físicos, podem, sim, desencadear uma condição cardíaca séria, que precisa ser reconhecida e tratada com responsabilidade.

A relevância do tema é crescente na cardiologia contemporânea e está relacionada também ao fato de as doenças cardiovasculares permanecerem como a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil. Por conta disso, a SOCESP Mulher (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), promove em 25 de julho (sábado), das 8h às 13h, uma grande ação gratuita de prevenção cardiovascular voltada às mulheres da rede pública de saúde. A mobilização, que conta com a parceria da Prefeitura de São José dos Campos, será realizada em uma unidade móvel (carreta) equipada para a realização de exames e atividades educativas voltadas à promoção da saúde do coração, em frente ao Ambulatório da Mulher no Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence. O projeto tem o apoio da Avatti, Biolab Farmacêutica, Hcor, Nagumo, Novartis e Omron e voluntários das Ligas de Cardiologia de Faculdades de Medicina.


* Ieda Jatene e Salete Nacif são cardiologistas e coordenadoras do SOCESP Mulher da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. 


BUSCA EM NOTÍCIAS




Siga-nos