Homenagem dos amigos da SOCESP, com admiração e saudade.
O Brasil perdeu um de seus maiores nomes da cirurgia cardiovascular. O professor e cirurgião Enio Buffolo, nascido em São Paulo em 9 de dezembro de 1941, dedicou mais de cinco décadas à medicina, à pesquisa e à formação de gerações de médicos, faleceu em 6 de outubro de 2025. Ele foi o 1º Tesoureiro da terceira diretora da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) do biênio 1981/1983, tendo sido homenageado no XXXV Congresso, em 2014, por sua contribuição à medicina paulista (foto). “O Prof. Enio influenciou gerações de cirurgiões por todo o seu trabalho, não apenas no nosso país, como ao redor do mundo, com técnicas inovadoras e de grande impacto. Sempre fui muito próximo a ele e influenciou também muito a minha carreira. Fará uma enorme falta, para todos nós”, afirmou o ex-presidente da SOCESP e Professor Titular de Cirurgia Torácica da Faculdade de Medicina da USP, Fabio Jatene.
Graduado pela Escola Paulista de Medicina (atual Unifesp) em 1965, Enio Buffolo sempre esteve entre os primeiros colocados de sua turma e construiu uma carreira acadêmica exemplar na instituição, onde se tornou doutor, livre-docente e professor titular. Sua trajetória foi marcada pela excelência técnica e pela vocação docente, tendo exercido cargos de liderança como chefe da disciplina de cirurgia torácica e cardiovascular e chefe do Departamento de Cirurgia da EPM.
Em 1975, aprimorou seus conhecimentos na Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, experiência que consolidou sua atuação em cirurgia de coronárias. De volta ao Brasil, tornou-se referência mundial ao desenvolver e difundir a técnica de revascularização do miocárdio sem circulação extracorpórea, uma das contribuições mais importantes da cardiologia moderna. O artigo em que descreveu o método, publicado no Annals of Thoracic Surgery em 1996, alcançou expressivo impacto internacional.
Além dessa inovação, o Enio Buffolo se destacou nas pesquisas e procedimentos voltados à correção de aneurismas da aorta, campo no qual também obteve reconhecimento global — inclusive sendo tema de um programa da BBC de Londres.
Autor de mais de 200 publicações científicas e membro de conselhos editoriais de importantes revistas médicas, participou ativamente de entidades de classe, presidindo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, a Sociedade de Cirurgia Cardiovascular do Estado de São Paulo, além da SOCESP.
Sua competência e pioneirismo renderam-lhe prêmios e distinções, entre eles a Medalha Santos Dumont, a Medalha Anchieta, o título de Médico do Ano concedido pela Associação Médica de Israel, o Prêmio Saúde da Editora Abril e ainda tendo o seu nome em monumento a Hipócrates, na Ilha de Cós, na Grécia.
Ao longo da carreira, liderou equipes em hospitais de referência como o HCor, Santa Catarina, Albert Einstein e São Camilo, tendo realizado — direta ou indiretamente — cerca de 35 mil cirurgias.
Enio Buffolo deixa um legado de inovação, ética e humanidade que transformou a prática da cirurgia cardíaca no Brasil e no mundo. Seu nome permanece como símbolo de excelência médica e dedicação à vida.
COMENTÁRIOS