As doenças cardiovasculares constituem uma das principais causas de morbimortalidade no mundo, e as alterações no metabolismo lipídico desempenham papel central no seu desenvolvimento. Nesse contexto, os avanços dos estudos genômicos, especialmente os de associação genômica ampla, têm aumentado a compreensão dos determinantes genéticos envolvidos na suscetibilidade às doenças cardiometabólicas e na regulação dos lipídios circulantes. Contudo, tais relações não podem ser compreendidas exclusivamente a partir da genética, uma vez que fatores ambientais, comportamentais e culturais também modulam o risco cardiometabólico por meio de complexas interações gene-ambiente. Nesse contexto, esta revisão narrativa tem como objetivo discutir as terminologias “ancestralidade genética”, “raça”, “etnia”, além das relações entre ancestralidade genética, metabolismo lipídico e doenças cardiovasculares, considerando a diversidade genética das populações; e a influência de fatores ambientais e culturais sobre a saúde cardiovascular.