A cardiomiopatia arritmogênica (CMA) é uma miocardiopatia geneticamente determinada, caracterizada por arritmias ventriculares, fibrose miocárdica e aumento do risco de morte súbita cardíaca. Inicialmente considerada uma doença predominantemente do ventrículo direito, atualmente é reconhecida como um espectro que inclui a cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito, formas biventriculares e a cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo esquerdo. As variantes em genes que afetam direta ou indiretamente o complexo desmossomal, bem como outros componentes estruturais e reguladores do cardiomiócito, estão associadas à doença. Os genes desmossomais, como PKP2, DSC2, DSG2 e JUP, relacionam-se mais frequentemente ao fenótipo clássico de predomínio direito, enquanto DSP, FLNC, RBM20, LMNA, DES e PLN estão mais associados às formas com predomínio esquerdo. Episódios semelhantes à miocardite, ou hot phases, podem representar a primeira manifestação da doença e são particularmente relevantes na cardiomiopatia genética relacionada à mutação da desmoplaquina (DSP), embora também ocorram em outros genótipos. O exercício físico atua como modificador da doença de maneira dependente do genótipo, com evidências mais robustas de efeitos adversos nas cardiomiopatias relacionadas a PKP2, LMNA e TMEM43 e evidências emergentes de associação entre exercício de endurance e episódios de lesão miocárdica na cardiomiopatia por DSP. Paralelamente, a estratificação de risco evoluiu de marcadores fenotípicos isolados para uma abordagem integrada, incorporando apresentação clínica, instabilidade elétrica, função biventricular, fibrose miocárdica e genótipo. Esta revisão resume as principais correlações genótipo–fenótipo na CMA e discute sua relação com inflamação miocárdica, exercício físico e avanços recentes na estratificação do risco arrítmico.