TRATAMENTO TRANSCATHETER DA INSUFICIÊNCIA TRICÚSPIDE: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS

TRANSCATHETER TREATMENT OF TRICUSPID REGURGITATION: CURRENTSTATUS AND FUTURE PROSPECTS
Tarso Augusto Duenhas Accorsi, Dorival Julio Della Togna, José Mariani Júnior, Mariana Rezende, Thiago Alexandre Martins Pinto

A insuficiência tricúspide (IT) é uma valvopatia prevalente, associada a elevada morbimor-talidade e frequentemente subdiagnosticada ou negligenciada. Historicamente, o tratamento cirúrgico tem sido limitado pelo elevado risco operatório, enquanto a terapêutica clínica oferece predominantemente controle sintomático. Nesse contexto, a evolução das técnicas transcateter tem ampliado as possibilidades terapêuticas para esses pacientes. Esta revisão tem como objetivo abordar o estado atual das intervenções percutâneas no tratamento da IT, com ênfase na seleção de pacientes, nas diferentes modalidades terapêuticas e nas evidências clínicas disponíveis. Realizou-se uma revisão narrativa baseada nos principais ensaios clínicos, nas diretrizes atuais e nos avanços tecnológicos recentes relacionados aos dispositivos transcateter. A utilização de métodos de imagem multimodal, incluindo eco-cardiografia transtorácica, ecocardiografia transesofágica e tomografia computadorizada, é fundamental para o planejamento pré-procedimento, estratificação anatômica e seleção da estratégia terapêutica mais adequada, que pode incluir reparo transcateter borda a borda, anuloplastia, implante de próteses valvares ou tratamento heterotópico bicaval. Estudos recentes demonstram que essas intervenções apresentam perfil de segurança favorável e podem promover redução da insuficiência tricúspide, alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida. Entretanto, a seleção criteriosa dos pacientes permanece essencial para o sucesso do tratamento. O tratamento transcateter da IT consolidou-se como uma alternativa terapêutica viável, especialmente para pacientes com risco cirúrgico elevado. O aprimoramento dos critérios de seleção e o desenvolvimento de novas tecnologias serão fundamentais para atender à heterogeneidade anatômica e clínica dessa valvopatia.

VOLUME 36 - Nº 2

Abril/Junho 2026

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