O PAPEL DA HEMODINÂMICA INVASIVA NA DOENÇA TRICÚSPIDE

THE ROLE OF INVASIVE HEMODYNAMICS IN TRICUSPID VALVE DISEASE
Tacianne Rolemberg Braga Delamain, Alberto Colella Cervone, José Henrique Herrmann Delamain, Henrique Barbosa Ribeiro

A doença valvar tricúspide passou a ocupar posição de destaque na cardiologia estrutural, impulsionada pela aprovação das terapias transcateter e pelo reconhecimento de seu impacto prognóstico independente. Embora a ecocardiografia permaneça o método de primeira linha para a caracterização anatômica e funcional da valva, a avaliação hemodinâmica invasiva por cateterismo cardíaco direito (CCD) reassumiu posição central na avaliação desses pacientes. Este capítulo examina como os parâmetros hemodinâmicos invasivos contemporâneos têm sido incorporados à prática clínica, da caracterização diagnóstica à estratificação de risco pré-procedimento e à escolha entre dispositivos transcateter. São abordados a distinção entre a insuficiência tricúspide secundária atrial e ventricular e suas implicações prognósticas; a definição hemodinâmica da hipertensão pulmonar e de seus fenótipos segundo a diretriz ESC/ERS de 2022, que recomenda formalmente o CCD antes do reparo cirúrgico ou percutâneo da insuficiência tricúspide grave; a morfologia da curva de pressão do átrio direito e sua “ventricularização” na regurgitação grave; a quantificação do acoplamento ventrículo direito–artéria pulmonar e da reserva de pós-carga do ventrículo direito; e o índice de pulsatilidade da artéria pulmonar (PAPi) como marcador da capacidade contrátil do ventrículo direito frente à sua pós-carga. Dados de registro indicam que parâmetros invasivos, em especial a pressão de oclusão e a pressão média da artéria pulmonar, associam-se de forma independente a desfechos adversos após o reparo transcateter borda-a-borda, mesmo quando a regurgitação é efetivamente reduzida, ao passo que os dois ensaios randomizados pivotais demonstraram, até o momento, benefício restrito à qualidade de vida e à classe funcional. Lidos em conjunto com a diretriz ESC/EACTS de 2025 e o consenso de especialistas do ACC de 2026, esses dados sustentam a hemodinâmica invasiva como complemento indispensável à imagem na seleção de candidatos à intervenção transcateter.

VOLUME 36 - Nº 2

Abril/Junho 2026

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