CIRURGIA DA VALVA TRICÚSPIDE NA ERA CONTEMPORÂNEA

TRICUSPID VALVE SURGERY IN THE CONTEMPORARY ERA
Fabrício José Dinato, Lucas Fernandes Bonamigo, Samira Kaissar Nasr Ghorayeb, Giseli Casarini

A preocupação em corrigir cirurgicamente a regurgitação tricúspide funcional tem aumentado nos últimos anos devido novas evidências terem demonstrado que a insuficiência tricúspide moderada-importante ou com dilatação do anel frequentemente não regride após a correção da valvopatia esquerda isolada. Além disso, a abordagem cirúrgica concomitante da insuficiência tricúspide secundária parece não agregar risco à operação. Em virtude da sua alta eficácia e menor risco, a plástica da valva tricúspide atualmente é a técnica de escolha. A anuloplastia tricúspide pode ser obtida através de reparo com sutura ou com a utilização de um anel protético. As técnicas com sutura são mais simples e baratas, porém a maioria das publicações recentes têm demonstrado superioridade da anuloplastia com anel, principalmente no que se refere à sua durabilidade. Por isso, a estratégia com anel é a técnica mais recomendada nos dias de hoje. Até o momento não existe consenso sobre a superioridade entre o anel rígido e o flexível. Apesar de raramente necessária, a substituição da valva tricúspide deve ser realizada quando a plástica não é possível, como encontrado em casos de endocardite com extensa destruição tecidual. Com relação à escolha do substituto valvar, a tendência atual é para o implante de bioprótese, apesar da literatura não demonstrar diferença na sobrevida entre os dois tipos de próteses. A despeito do avanço das técnicas cirúrgicas e do cuidado perioperatório, a cirurgia isolada da valva tricúspide é raramente realizada em decorrência de seu alto risco operatório. A indicação tardia da operação provavelmente é o principal fator que justifica esse resultado. 

VOLUME 36 - Nº 2

Abril/Junho 2026

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