Em 2025, o papel dos betabloqueadores no tratamento após o infarto do miocárdio voltou a ser amplamente debatido na literatura científica e em congressos internacionais. Esse interesse renovado ocorreu principalmente após a apresentação de grandes ensaios clínicos randomizados no ESC Congress 2025 e sua publicação simultânea no New England Journal of Medicine, além da divulgação de meta-análises recentes sobre o tema. Historicamente, os betabloqueadores foram considerados parte fundamental do tratamento pós-infarto, baseados em estudos conduzidos em décadas anteriores, que demonstraram redução de mortalidade e eventos cardiovasculares, especialmente em pacientes com disfunção sistólica do ventrículo esquerdo. Entretanto, o cenário do tratamento do infarto do miocárdio mudou significativamente nas últimas décadas. A introdução de estratégias modernas de manejo, como a reperfusão precoce por angioplastia primária, o uso disseminado de estatinas de alta intensidade, terapias antiplaquetárias mais eficazes e melhorias no cuidado intensivo cardiovascular, alterou o prognóstico desses pacientes. Nesse contexto, passou-se a questionar se os benefícios previamente observados dos betabloqueadores ainda se mantêm em pacientes com fração de ejeção preservada ou apenas levemente reduzida. Os estudos mais recentes sugerem que, nesse grupo específico de pacientes, o benefício prognóstico dos betabloqueadores pode ser menor ou mais limitado do que o observado em populações históricas. Assim, a tendência atual é reavaliar a indicação universal desses medicamentos no pós-infarto, favorecendo uma abordagem mais individualizada baseada no perfil clínico, na presença de disfunção ventricular, arritmias ou outras indicações específicas. Dessa forma, os novos dados contribuem para refinar a prática clínica e orientar futuras atualizações das diretrizes de manejo do infarto do miocárdio.