A prevenção primária de eventos cardiovasculares ateroscleróticos representa um pilar fundamental na saúde pública, e o manejo do colesterol, especialmente do LDL-c, é central nesse esforço. Este artigo explora as abordagens recomendadas para o tratamento do colesterol na prevenção primária a partir de 2026, com base nas atualizações da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 e nas diretrizes internacionais, como a ACC/AHA 2026. A estratificação de risco cardiovascular, agora preferencialmente realizada pelo escore PREVENT, orienta metas de LDL-c cada vez mais rigorosas, variando de <115 mg/dL para baixo risco a <40 mg/dL para risco extremo, com reduções percentuais significativas. As intervenções incluem modificações intensivas no estilo de vida e terapia farmacológica escalonada, iniciando com estatinas de alta intensidade, seguidas por ezetimiba; quando necessário, consideram-se terapia anti-PCSK9, como evolocumabe, alirocumabe e a inclisirana; o ácido bempedoico permanece como alternativa particularmente útil em casos de intolerância a estatinas. Enfatiza-se a importância da terapia combinada precoce, a avaliação de biomarcadores como Lipoproteína (a) [Lp(a)] e o uso de escores de cálcio coronariano. Discutem-se também as particularidades do tratamento em populações especiais e as perspectivas futuras. O objetivo é fornecer um guia atualizado para a prática clínica, visando a redução substancial do risco cardiovascular