As cardiopatias congênitas ocorrem em cerca de 1 a cada 110 nascidos vivos. No Brasil, 45 mil crianças nascidas ao ano apresentam alguma anomalia cardíaca. Dessas, aproximadamente 80% necessitam de cirurgia antes dos seis meses de vida e nem todas podem ser corrigidas de forma definitiva. A heterogeneidade clínica desse diagnóstico impacta diretamente tanto o prognóstico quanto a qualidade de vida das crianças e de suas famílias, evidenciando a complexidade da assistência necessária. Dessa forma, temos como objetivo desta pesquisa evidenciar a importância do atendimento multidisciplinar precoce das equipes de cuidados paliativos (CP) proporcionando alívio do sofrimento em sua dor total dentro das quatro dimensões preconizadas nos princípios em CP: a física, emocional/psicológica, social e espiritual/existencial. A literatura evidencia não apenas a importância da integração precoce dos cuidados paliativos em cardiologia pediátrica, mas também a necessidade de produzir evidências em contextos locais, superar barreiras institucionais e investir na formação profissional. Apesar das evidências mostrarem que a abordagem da equipe de cuidados paliativos logo no início do tratamento às crianças com cardiopatia congênita melhora a qualidade de vida dessas e de suas famílias, ainda há muitos enfrentamentos a serem superados para ampliar o acesso a um cuidado integral, equitativo e centrado na criança e em sua família.