A insuficiência cardíaca é uma condição crônica, progressiva e de elevada morbimortalidade, associada a importante impacto funcional, sintomático, psicossocial e econômico. Apesar dos avanços terapêuticos nas últimas décadas, muitos pacientes evoluem com sintomas persistentes, hospitalizações recorrentes e sofrimento significativo, especialmente nas fases avançadas da doença. Nesse contexto, os cuidados paliativos emergem como uma abordagem essencial e complementar ao tratamento cardiológico convencional. Este artigo tem como objetivo revisar de forma narrativa as evidências atuais sobre a integração dos cuidados paliativos na insuficiência cardíaca, abordando aspectos epidemiológicos, desafios prognósticos, manejo de sintomas, qualidade de vida, critérios e barreiras para o encaminhamento, além das interfaces com dispositivos implantáveis, transplante cardíaco e cuidados de final de vida. A literatura demonstra que a integração precoce e contínua dos cuidados paliativos contribui para melhor controle de sintomas, maior qualidade de vida, suporte psicossocial e espiritual, além de favorecer a tomada de decisões compartilhadas e alinhadas aos valores dos pacientes. Conclui-se que os cuidados paliativos devem ser incorporados de forma estruturada e longitudinal ao cuidado de pacientes com insuficiência cardíaca, especialmente na doença avançada, não como substituição, mas como complemento às terapias modificadoras de prognóstico.