A insuficiência cardíaca em estágio avançado representa um desafio na prática clínica e está associada a altas taxas de mortalidade, hospitalizações recorrentes e impacto na qualidade de vida. O tratamento medicamentoso baseado em diretrizes segue sendo a primeira linha de abordagem, mas muitos pacientes não conseguem tolerar plenamente essa terapêutica em razão de limitações clínicas. Nessas situações, considera-se o transplante cardíaco, reconhecido como padrão de referência. Entretanto, essa alternativa é limitada pela escassez de doadores e pela baixa elegibilidade, uma vez que apenas uma fração dos pacientes reúne condições clínicas adequadas para sua realização. Diante desse cenário, o suporte circulatório mecânico surge como opção, seja de forma temporária ou prolongada, podendo atuar como ponte para o transplante ou como tratamento definitivo. Apesar de ampliar as possibilidades terapêuticas, tais intervenções trazem dilemas éticos importantes, relacionados ao equilíbrio entre prolongar a vida e preservar a dignidade. Os cuidados paliativos, portanto, assumem papel central ao oferecer alívio de sintomas, apoio psicossocial e planejamento antecipado de condutas, favorecendo decisões compartilhadas alinhadas aos valores do paciente. A integração precoce dessa abordagem contribui para maior humanização do cuidado, mesmo em contextos de alta complexidade. Embora os estudos disponíveis mostrem resultados promissores, ainda são escassos e frequentemente centrados em desfechos clínicos tradicionais. Há necessidade de pesquisas mais abrangentes que avaliem qualidade de vida e percepções dos pacientes e familiares. Esta revisão narrativa de literatura analisa a inserção dos cuidados paliativos no manejo da insuficiência cardíaca avançada associada às terapias de suporte circulatório, destacando seus aspectos clínicos e bioéticos