As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte no mundo, e os fatores de risco tanto físicos quanto psicossociais compreendem um grande desafio no dia a dia do cardiologista. Sabe-se que a liberação de catecolaminas no sistema circulatório pelo estresse é um desencadeador de uma série de respostas inflamatórias do organismo, afetando diretamente a saúde cardiovascular; e o luto pela perda de uma pessoa significativa é uma situação geradora de estresse. Assim, considera-se de suma importância conhecer as influências do luto no processo do adoecer cardiovascular. Dessa forma, este artigo apresenta uma revisão integrativa de literatura, visando conhecer o tema referente ao luto como fator de risco para doenças cardiovasculares e servir de base para o desenvolvimento de cartilhas de orientação para pacientes cardiopatas enlutados e para cardiologistas. Traz como resultados a constatação de que as doenças cardiovasculares são muitas vezes desencadeadas de maneira aguda e com efeitos graves em função da presença de uma situação luto, podendo também gerar uma descompensação de quadros cardiovasculares estáveis, em especial, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), aumento do risco de cardiomiopatia de Takotsubo (CT), infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC) nas primeiras semanas e meses após a perda de cônjuges, filhos e irmãos. O conhecimento do cardiologista sobre situações de luto e seus efeitos no paciente podem melhorar a adesão ao tratamento clínico do paciente e abre caminho para a realização de ações terapêuticas a fim de acolher e facilitar o processo de luto.