O sedentarismo é um dos principais determinantes para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e câncer, configurando-se como fator de risco independente, mesmo em indivíduos que realizam algum nível de atividade física. Evidências recentes demonstram que pequenas doses de movimento diário, incluindo atividade física vigorosa intermitente no estilo de vida (VILPA) ou o aumento gradual do número de passos, já promovem benefícios clínicos significativos, reduzindo mortalidade e incidência de doenças crônicas. Nesse contexto, o exercício físico emerge como pilar terapêutico central da Medicina do Estilo de Vida, não apenas para romper o comportamento sedentário, mas também para atuar no controle de fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, diabetes mellitus tipo 2, apneia obstrutiva do sono, tabagismo e estresse crônico. A ausência de controle adequado desses fatores potencializa a progressão do processo aterosclerótico, elevando o risco de doença arterial coronariana e seus desfechos clínicos graves. Assim, este artigo propõe uma abordagem prática baseada em evidências para a prescrição de exercício físico direcionada à modificação de fatores de risco e à promoção da saúde cardiovascular.