A não adesão às medidas não farmacológicas e ao tratamento medicamentoso têm um impacto significativo na saúde dos pacientes e nos resultados clínicos. Embora haja avanços na produção científica e no desenvolvimento de novas terapias, os dados de morbimortalidade relacionados a doenças crônicas são alarmantes, com doenças como hipertensão arterial e diabetes mellitus ainda representando as principais causas de morte em muitos países, incluindo o Brasil. A taxa de controle adequado de fatores de risco é desanimadora, indicando falta de adesão às recomendações médicas, que acaba por culminar em piores desfechos clínicos, aumento da morbidade e mortalidade, além de maiores custos de saúde. Estima-se que metade das prescrições médicas não seja seguida corretamente, resultando em muitos óbitos e custos financeiros. A adesão às recomendações médicas é um processo complexo, influenciado por vários fatores, incluindo características e expectativas do paciente, complexidade do regime de medicamentos e a relação entre o paciente e o prestador de cuidados de saúde. Estratégias eficazes para melhorar a adesão devem incluir o cuidado centrado no paciente, com seu envolvimento ativo no processo de tratamento, educação adequada e uma comunicação efetiva. É importante se considerar as crenças e preferências dos pacientes, a fim de se criar um plano de tratamento personalizado que seja mais provável de ser seguido, como, por exemplo, suas preferências em relação a atividades físicas e hábitos nutricionais e a simplificação dos regimes de medicamentos. Atualmente, além das habilidades técnicas, as habilidades pessoais e sociais, conhecidas como “soft skills”, têm ganhado importância na área da saúde. A comunicação empática entre médicos e pacientes tem sido associada a uma maior adesão ao tratamento, destacando a importância de uma relação médico-paciente de qualidade. Identificar barreiras específicas enfrentadas pelos pacientes e ajudá-los a superá-las deve fazer parte do processo de cuidado e pode ser facilitado por meio de questionários, ferramentas de avaliação, programas de suporte e uso de tecnologia.