O conceito de obesidade metabolicamente saudável (OMS) é um tópico de contínuo debate na comunidade científica. Está relacionado a um subconjunto de indivíduos com obesidade e que não apresentam complicações metabólicas tipicamente associadas ao excesso de adiposidade, como resistência insulínica, dislipidemia e hipertensão arterial sistêmica. No entanto, a ausência dessas anormalidades metabólicas não equivale a ser saudável no sentido mais amplo. Diversos estudos, incluindo um recente estudo de coorte do UK Biobank, evidenciaram que indivíduos com OMS ainda apresentam risco elevado de desenvolver diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e outras complicações relacionadas à obesidade, como insuficiência cardíaca e doenças respiratórias, em comparação a indivíduos magros metabolicamente saudáveis. O risco, embora menor do que o observado em indivíduos obesos metabolicamente não saudáveis, permanece significativo. Além disso, o fenótipo da OMS é frequentemente transitório. Aproximadamente 50% desses indivíduos podem transitar para um estado metabolicamente insalubre ao longo de uma década, ressaltando a importância da intervenção precoce e do controle de peso. Assim, a despeito dos diversos critérios existentes para definir saúde metabólica, e mesmo reconhecendo que a OMS represente um fenótipo distinto dentro do espectro da obesidade, as evidências científicas atuais confirmam que ela não deve ser considerada uma condição benigna. Neste contexto, o adequado controle da massa corpórea e as intervenções em busca de um estilo de vida saudável continuam sendo cruciais para que indivíduos com sobrepeso ou obesidade mitiguem os riscos à sua saúde em longo prazo.