TRATAMENTO DO CONTÍNUO DA ATEROSCLEROSE

TREATMENT OF ATHEROSCLEROSIS CONTINUUM
Hermes Toros Xavier, Marcella Geiger Xavier

O conceito do Continuum Cardiovascular, introduzido por Dzau e colaboradores em 2006, sumarizou o desenvolvimento, ao longo da vida, da aterosclerose coronária e suas complicações. Desde então, foram identificados os pontos ao longo de sua evolução onde o processo pode ser atenuado ou mesmo interrompido através de tratamentos ou intervenções farmacológicas. Com o aprimoramento do conhecimento do contínuo da aterosclerose, destaca-se o conceito da exposição cumulativa aos fatores de risco cardiovascular (CV) — como o produto da magnitude e duração para uma taxa de exposição constante, integral ou variável, da parede arterial, ao longo da vida. Está estabelecido que quanto mais precoces e mais vigorosas no controle dos fatores de risco, as intervenções podem reduzir o risco cumulativo da doença no longo prazo. Nesse quesito, a exposição cumulativa e prolongada ao LDL-C e os benefícios da redução dos seus níveis está definida por uma relação causal inquestionável. Evidências demonstram o papel e a importância da inflamação na gênese e progressão da aterosclerose, como doença vascular inflamatória crônica, onde o metabolismo lipídico desregulado, o estresse oxidativo e a inflamação caracterizam os principais mecanismos implicados no seu desenvolvimento. Mais recentemente, sugere-se que a microbiota intestinal desempenha um papel importante na aterogênese. O tratamento do contínuo da aterosclerose deve contemplar vários mecanismos subjacentes e de forma concomitante, levando em conta as influências genéticas, do estilo de vida e do ambiente e a exposição cumulativa aos fatores de risco ao longo da vida, o que determina o seu nível de gravidade, a velocidade da sua progressão e o impacto na ocorrência dos eventos CV subsequentes.

VOLUME 35 - Nº 4

Outubro/Dezembro 2025

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