Introdução: Angina refratária (AR) é uma condição clínica que impõe limitações que afetam a qualidade de vida dos pacientes; entretanto, não se conhece o impacto desta condição sobre a qualidade do sono (QS) dos pacientes. Objetivo: Avaliar a QS em pacientes com AR em seguimento ambulatorial e a relação entre fatores clínico-sociodemográficos, dor e qualidade de vida. Métodos: Estudo transversal realizado por entrevista clínica e uso dos questionários de sono de Pittsburgh (PSQI), de Angina de Seattle e de Qualidade de Vida (SF-36) em pacientes com diagnóstico de AR. Realizou-se comparação entre os grupos de QS boa e ruim. Para análise linear, correlação de Spearman e regressão linear, ajustada aos fatores de confusão, colinearidade e homoscedasticidade, adotando intervalo de confiança de 95% e valor de P < 0,05 para todas as análises. Resultados: Foram incluídos 30 pacientes (21 homens; idade = 62±10 anos). Houve maior prevalência de QS ruim (77%) com associação positiva entre histórico familiar de doença arterial coronariana e QS ruim (P = 0,047). Os domínios emocionais do SF-36 se correlacionaram negativamente com “disfunção diurna” pelo PSQI (P =0,004). Na regressão linear multivariada, pacientes com três filhos têm em média 8.31 pontos a mais de pior QS comparados aos sem filhos (P = 0,042) e a religião espírita obteve em média menores valores de QS quando comparadas às evangélica, católica ou outras(P=0.038, P=0.016 e P=0.020, respectivamente). Conclusão: Pacientes ambulatoriais com AR têm QS ruim. Houve associação entre histórico familiar de doença arterial coronária e QS ruim. Os aspectos emocionais foram correlacionados negativamente com a disfunção diurna. Maior número de filhos e religião espírita foram variáveis preditoras independentes de pior QS.