A dor torácica aguda e? uma das causas mais frequentes de atendimento nas unidades de emergência (UE), correspondendo a mais de 5% e atingindo ate? 10% dos casos não relacionadas a traumatismos. De acordo com o registro francês FAST-MI, a incidência de síndrome coronária aguda sem supradesnivel de ST (SCASST) aumentou de 1/3 em 1995 para mais da metade em 2015, devido principalmente ao refinamento no diagnóstico. A síndrome coronariana aguda (SCA) é um termo abrangente, que inclui condições resultantes da redução aguda do fluxo sanguíneo para o miocárdio, geralmente devido à ruptura ou erosão de uma placa aterosclerótica e subsequente trombose parcial ou total do vaso e embolização distal. Uma metanálise colaborativa demonstrou benefício da estratégia invasiva de rotina comparada à seletiva em relação à sobrevida nos pacientes com GRACE escore > 140 pontos e naqueles com troponina positiva. A estratégia invasiva imediata <2 h é recomendada em pacientes de alto risco; a precoce ? 24 h, quando o risco é moderado; e a seletiva, naqueles que não apresentem nenhuma das características anteriores. Nos pacientes com SCA e portadores de doença coronária multiarterial, uma metanálise recente de 24 estudos randomizados analisando 16.371 pacientes mostrou que a revascularização completa comparada ao tratamento somente da lesão culpada reduziu a incidência de mortalidade total, mortalidade cardiovascular, infarto agudo do miocárdio (IAM) e necessidade de nova revascularização. As taxas de trombose do stent, sangramento maior e nefropatia induzida por contraste foram semelhantes entre os grupos. Em relação ao tratamento farmacológico, estudos recentes demonstraram benefício da administração de inibidores potentes do receptor P2Y12 no momento da intervenção coronária percutânea (ICP), diminuindo a taxa de sangramento comparada com o pré-tratamento. O acesso radial é a via de acesso preferencial, pois oferece vantagens importantes em termos de redução de complicações hemorrágicas e custos em pacientes com SCASST. Estudos iniciais com a utilização de métodos de imagem, ultrassom (intravascular ultrasound — IVUS) e optical coherence tomography (OCT) e de fisiologia (fractional flow reserve — FFR e instantaneous wave-free ratio — iFR) têm demonstrado resultados favoráveis quando utilizados de forma adjunta ao tratamento percutâneo.