As bradiarritmias podem decorrer de disfunção do nó sinusal (DNS) ou bloqueio da condução atrioventricular (BAV). Estas alterações, quando sintomáticas e irreversíveis, são tratadas por meio de implante de marca-passo (MP) definitivo. Geralmente, quando não há sintomas relacionados à bradicardia, o distúrbio indica provável efeito autonômico, funcional (predomínio parassimpático), e não requer tratamento específico. Entretanto, em alguns cenários, mesmo sem sintomas, a presença de BAV pode ter impacto prognóstico e, por isso, necessita de implante de MP. A avaliação de indivíduos assintomáticos que apresentam BAV deve incluir anamnese detalhada, exame físico, eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações e exames adicionais conforme a apresentação clínica e a probabilidade de doença relacionada (ex.: laboratório, ecocardiograma, teste ergométrico, Holter, cintilografia, tomografia por emissão de pósitrons (PET), ressonância magnética, estudo genético). A classificação anatômica é fundamental para a estratificação de risco dos BAV: nodal atrioventricular (AV), intra ou infra-His. Os bloqueios nodais costumam ocorrer por efeito autonômico, enquanto os bloqueios infranodais costumam ocorrer devido a lesão do sistema His-Purkinje. Desta forma, mais frequentemente, os bloqueios intra e infra-His se associam a sintomas, a complexos QRS alargados, menor frequência cardíaca, maior probabilidade de evolução para bloqueios mais graves e pior prognóstico. Além da classificação ao ECG, os BAV podem ser classificados em adquiridos ou congênitos, reversíveis ou irreversíveis. Bloqueios congênitos sem cardiopatia estrutural e bloqueios reversíveis apresentam melhor prognóstico e não requerem implante de MP na maioria dos casos. Já os bloqueios de 1º grau, 2º grau tipo I e 2:1 com QRS estreito geralmente não têm indicação de MP.