FORAME OVAL PÉRVIO

PATENT FORAMEN OVALE
Ana Vitoria Vitoreti Martins, Ana Maria Thomaz, Leína Zorzanelli

RESUMO

O forame oval patente (FOP) está presente em até 30% dos adultos e tem se mostrado altamente prevalente em pacientes diagnosticados com acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) de causa desconhecida, também chamado de AVCI criptogênico. Supõe-se que a principal causa desse evento seja uma embolia paradoxal facilitada pela presença do FOP, especialmente em pacientes mais jovens e com poucos fatores de risco, sugerindo um papel causal para o FOP (“AVC relacionado ao FOP”). As recomendações de manejo do FOP no AVCI criptogênico estão evoluindo rapidamente. Os dados se expandiram recentemente após quatro grandes estudos demonstrarem a superioridade do fechamento percutâneo do FOPquando comparado ao tratamento medicamentoso na prevenção da recorrência do AVCI criptogênico. O fechamento do FOP, visando a profilaxia secundária após um AVCI, deve ser considerado em pacientes com idade 60 anos após avaliação minuciosa e discussão sobre benefícios e riscos potenciais do procedimento. O acúmulo crescente de evidências embasa o fechamento percutâneo do FOP com dispositivos de última geração, levando em consideração prognóstico, qualidade de vida e benefício econômico, quando bem indicado para grupo correto de pacientes. O desenvolvimento do escore RoPE (Risk of Paradoxical Embolism) auxiliou na identificação de pacientes com AVCI criptogênico e FOP, potenciais candidatos ao fechamento do FOP. A literatura disponível raramente inclui pacientes comataque isquêmico transitório (AIT), idade maior que 60 anos e etiologias concorrentes como fibrilação atrial, portanto os resultados não podem ser generalizados para toda a população. Ainda não há consenso sobre marcadores biológicos disponíveis ou fatores de risco para predizer recorrência do AVCI relacionado ao FOP. Uma abordagem multidisciplinar com participação de cardiologista clínico, neurologista, hematologista e cardiologista intervencionista pode oferecer um melhor plano terapêutico, individualizado para cada paciente levando em consideração dados disponíveis, além de informações médicas, sociais e ocupacionais.

VOLUME 35 - Nº 4

Outubro/Dezembro 2025

ISSN 0103-8559 - Versão impressa
ISSN 2595-4644 - Versão online