21 de junho de 2021 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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SEDENTARISMOE POSSÍVEIS IMPLICAÇÕES PARA O COVID-19

 

A  pandemia do  novo  coronavírus e a estratégia de contenção dadisseminação do vírus por meio da redução da circulação de pessoas econfinamento domiciliar com o fechamento dos diversos espaços destinados àprática da atividade física como parques, clubes e academias, promoveu efeitossecundários sobre a saúde com implicações negativas sobre os níveis deatividade física. Embora muitas pessoas tenham se mantido fisicamente ativas emcasa com uso de aplicativos de exercício ou por telemedicina, diversosprogramas foram interrompidos e/ou reduzidos, fatalmente induzindo as pessoas aterem um estilo de vida mais sedentário.

O sedentarismoé definido, segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM), como umaprática de atividades físicas inferior a 150 minutos por semana para apopulação adulta. De acordo com as atualizações da Organização Mundial da Saúde(OMS) de 2020, é preciso realizar entre 150 e 300 minutos de atividade físicamoderada a vigorosa por semana para adultos. No caso das crianças, a entidaderecomenda 60 minutos de atividades físicas diárias. São consideradas atividadesmoderadas ações como jardinar, pedalar, dançar e caminhar conseguindo conversarsem ficar ofegante. O sedentarismo é considerado como uma doença do século devidoa sua prevalência crescente e por promover inúmeros riscos a sáude, tais como:aumento de peso, doenças cardiovasculares como infarto e acidente vascularcerebral, diabetes tipo 2, apnéia do sono, entre outros. Estudo divulgado emjaneiro de 2021 pela OMS confirma que o brasileiro se exercita menos do quedeveria. O levantamento aponta que, nos últimos 15 anos, praticamente um em cada dois adultos(47%) no Brasil não faz atividades físicas suficientemente. De acordo comestimativa da OMS, até 5 milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas, emtodo o mundo, se tivéssemos um aumento na prática de atividade física regular;além da redução dos elevados custos para o tratamento com saúde com umaeconomia de US$ 54 bilhões anuais em assistência médica.

Tão relevantepara a sáude quanto a redução do sedentarismo, o comportamento sedentário temapresentado destaque na mídia pois indica o quanto de tempo nós permanecemosparados (deitados, sentados ou pé) durante o dia, não existindo, ainda, umarecomendação estabelecida sobre uma quantidade mínima considerada necessáriapara manutenção e melhora da saúde. Por outro lado, alguns estudos demonstramque o ideal é darmos no mínimo 8 mil passos diariamente, reduzindo assim osriscos de desenvolvimento de doenças crônicas. Um estudo interessante de Kaplane colaboradores compararam a população das grandes cidades com uma populaçãoindígena da região amazônica com predomínio de atividades de subsistência (caça,pesca e agricultura), mostraram que os indígenas passavam a maior parte do diaem movimento e percorriam grandes distâncias diariamente (14h/dia em movimento)comparado á população das grandes cidades (8h/dia em movimento), sugerindo quea redução do comportamento sedentário está diretamente relacionado com menoresindicadores de risco da saúde cardiovascular e longevidade, visto que osindígenas não praticavam exercícios físicos estruturados. O risco de mortalidadeaumenta 5% para cada uma hora a mais sentado para adultos que permanecemsentados diariamente por sete horas ou mais.

Durante esteperíodo de pandemia, estudos tem demonstrado uma redução nos níveis deatividade física quando comparado com o período pré pandemia. Uma pesquisa daFundação Oswaldo Cruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e realizado de formaonline com 9.470 adolescentes (12 a 17 anos) do Brasil todo, de junho a setembrode 2020, mostraram que o percentual de jovens que não faziam 60 minutos deatividade física em nenhum dia da semana antes da pandemia era de 20,9%, epassou a ser de 43,4% na pandemia. Curiosamente, resultado diferente tem sidoobservado com a população adulta. Esta foi a conclusão de um estudo realizadopela University College London em que entrevistaram mais de 5,8 mil britânicoscom 20 anos ou mais durante a pandemia e mostraram que 60% conseguiram manteros níveis de atividade física e apenas cerca de 25% reduziram os níves deexercício. No entanto, são estes 25% que reduziram os níveis de atividade quepossuem doenças crônicas e os tornam ainda mais vulneráveis à contaminação porCOVID-19. Apesar do cenário pandêmico e da necessidade de ainda mantermos odistanciamento social, as pessoas, em todas as faixas etárias, devem se manterativas fisicamente.  Um estudo recente queincluiu 387.109 indivíduos, mostrou que o risco de hospitalização foi 32% maiorpara pessoas fisicamente inativas quando comparado com aquelas fisicamenteativas. Interessantemente, foi também observado que mesmo níveis relativamenteinsuficientes de atividade física, isto é, um pouco abaixo das recomendaçõesatualmente preconizadas (150 minutos semanais), tiveram impacto protetor sobreos casos de hospitalização por COVID-19 quando comparados com níveis desedentarismo. De fato, a atividade física de lazer apresenta correlaçãonegativa com o risco de mortalidade cardiovascular independentemente de idade,sexo e existência ou não de doenças cardiovasculares prévia; favorecendo umamelhor condição de sáude para estes pacientes acomedidos pela COVID-19. Além da melhora na funçãocardiovascular e imunológica, exercitar-se contribui com a saúde mental,ajudando a reduzir sentimentos como estresse e ansiedade, comuns em tempos deisolamento social.

 

Hillard Kaplan et al. Coronaryatherosclerosis in indigenous South American Tsimane: a cross-sectional cohortstudy. Lancet, 2017.

 

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