29 de setembro de 2020 - SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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PERGUNTAS E RESPOSTAS: SAÚDE CARDIOVASCULAR E ODONTOLOGIA!

Cardiopatas e pacientes com fatores de risco, como hipertensão, colesterol elevado e diabetes, precisam de um planejamento antes de iniciar um atendimento odontológico? 

D.O.: Todo paciente cardiopata, de uma forma geral, deve ter uma atenção especial durante o seu atendimento odontológico, desde o início do seu planejamento, com uma entrevista mais minuciosa, até possíveis repercussões odontológicas e interações medicamentosas.


Algo específico para hipertensão? 

D.O.: Em pacientes hipertensos, deve-se realizar a monitorização da pressão arterial e frequência cardíaca a cada consulta odontológica e, em procedimentos invasivos, antes, durante e após, com o objetivo de verificar o estado clínico momentâneo do paciente. 


Colesterol e diabetes? 

D.O.: Pacientes cardiopatas, com comorbidades sistêmicas associadas, como a diabetes, e/ou presença de dislipidemias (colesterol aumentado), podem apresentar duas vezes mais chances de eventos cardiovasculares. Estes devem ser investigados quanto à presença atual ou histórico de doenças isquêmicas do coração, como a Doença Arterial Coronariana (DAC), que representa um acúmulo de placas de gordura nas artérias, e pode predispor o desenvolvimento de quadros de angina e infarto agudo do miocárdio, por exemplo.

Outro ponto importante é que este grupo de pacientes pode utilizar medicamentos anticoagulantes e/ou antiplaquetários que são capazes de proporcionar maiores sangramentos em procedimentos cirúrgicos odontológicos. 


Cardiopatas de forma geral?

D.O.: É importante lançar mãos de estratégicas e diretrizes para a redução de estresse e ansiedade para este grupo de pacientes cardiopatas. O dentista pode indicar e prescrever medicamentos para a redução da ansiedade e métodos de controle  local para evitar o sangramento abundantes. 


Como deve ser feito esse planejamento (passo a passo)?  Quem solicita? O próprio dentista? 

D.O.: O cirurgião dentista deve, sempre que necessário, solicitar avaliação cardiológica bem como grau de risco cirúrgico previamente ao seu planejamento odontológico. 


O paciente precisa informar ao dentista ser cardiopata ou ter os fatores de risco? 

D.O.: O cirurgião dentista necessita analisar o atual estado de saúde geral do paciente e avaliar quais são os fatores de risco associados aos comprometimentos cardiovasculares existentes para que assim possa minimizar possíveis emergências cardiovasculares, durante o seu tratamento odontológico. 


Quais exames ou informações ele precisa levar para uma consulta odontológica?

D.O.: Não há critérios científicos que definam, de forma protocolar, a indicação e necessidade de exames complementares e específicos apenas pela presença de alteração cardiovascular. Todo planejamento odontológico deve ser individualizado e personalizado, de acordo com a doença cardiovascular existente.


Qual é a estimativa deste universo, ou seja, quantos por cento da população brasileira têm algum tipo de cardiopatia ou alguns dos três fatores de risco (hipertensão, colesterol elevado e diabetes) para DCVs?

D.O.: Nos dias atuais, as DCVs, ainda permanecem como a principal causa de morte no Brasil, sendo responsáveis por 45% dos óbitos ocorridos em adultos jovens, de acordo com o último painel publicado pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS). Além disso, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, em 2013, cerca de 6,1 milhões de pessoas com idade superior a 18 anos tiveram algum diagnóstico médico de DCV.


Fonte: - Ministério da Saúde. Prevenção clínica de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.


Qual é o fator de risco para o coração que o paciente deve ficar atento quando for ao dentista?

D.O.: Todos os fatores de risco modificáveis (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo, obesidade, sedentarismo...) e não modificáveis (idade, gênero, etnia, histórico familiar...) são de igual importância para um planejamento odontológico com maior segurança e eficiência. Quanto maior o número de fatores de riscos existentes, associados ao conjunto de outras doenças, maiores são as chances de desenvolvimento de eventos cardiovasculares agudos ou crônicos. 


FREDERICO BUHATEM MEDEIROS

DIRETOR CIENTÍFICO DO DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA DA SOCESP

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